A Górgona e o Pacto das Guildas
Jace apareceu em Ravnica já atrasado, a julgar pela velocidade com que um mensageiro o encontrou na chegada e pelo número de vezes que a mensagem usava a palavra "urgentemente", que eram três. Lavínia, anteriormente a corredora do labirinto Azorius e atualmente assistente e vice de Jace na Câmara do Pacto das Guildas, tendia a usar advérbios quando Jace estava ficando para trás em seus deveres.
Os salões recém-construídos da Câmara do Pacto das Guildas ecoavam com o som distinto de cascos batendo. Aquele não era um som que Jace tradicionalmente associava ao santuário oficial do Pacto das Guildas Vivo. Ele apressou-se para o salão principal de recepção, onde o corredor se expandia para revelar uma multidão de minotauros bradantes, revestidos de aço e com tabardos Boros. Lavínia estava entre os reclamantes, a única que não bradava nem batia os cascos. Sua armadura Azorius brilhava com um brilho regulamentar.
"Os Orzhov violaram nosso contrato de fronteira!", rugiu o minotauro líder. "Eles estão coletando taxas em terras da Legião!" Outros minotauros bateram os cascos e murmuraram em concordância.
"Sua guilda não apresentou uma reclamação formal a este escritório", disse Lavínia calmamente, abafada pelo barulho. Ela sacudiu um pedaço de papel no ar como se fosse uma arma. "Assim que for apresentada, seu caso será considerado no devido tempo por esta Câmara."
"Como posso ajudar?", perguntou Jace, surgindo na sala.
Os minotauros imediatamente voltaram seus brados para ele.
"Pacto das Guildas!", rugiram os minotauros. "O Sindicato mentiu sobre os termos do nosso acordo!" "Injusto! Eles estão tentando interromper nossa cúpula!"
Jace conjurou palavras nos pensamentos de Lavínia. Desculpe o atraso. Foi por isso que me convocou?
Não, veio o pensamento de Lavínia em resposta. Disputa mesquinha. Posso lidar com eles. Tenho algo mais que requer sua atenção.
Jace tentou sorrir de uma forma que esperava ser acolhedora para os minotauros. É um assassinato?
Por que você diz isso?
Porque você está fazendo aquela cara. Sua cara de 'houve um assassinato'.
Mais de um, na verdade. Eu tenho uma cara de 'houve um assassinato'?
O que é essa cúpula de que estão falando?
Aurélia, mestre de guilda dos Boros, está recebendo outros três líderes de guilda em Soliar esta noite. A Legião está preocupada com a segurança, e os Orzhov aparentemente não estão ajudando.
"Pacto das Guildas, qual é a sua decisão?", insistiram os minotauros.
Jace parou diante do minotauro líder, uma cabeça mais baixo e com dois chifres enormes a menos. "Vocês devem apresentar uma reclamação formal à Vice Lavínia", disse ele, sob um coro de escárnio. "Retornem a Soliar, e a vice cuidará disso no devido tempo, de acordo com o procedimento da Câmara."
Jace segurou a respiração. Ele era a personificação da concórdia entre as guildas de Ravnica, uma manifestação da estabilidade, mas também era um saco de órgãos muito vivo e mortal. Cada vez que exercia seu poder como Pacto das Guildas, sentia tanto um senso de autoridade grandiosa e mística quanto um senso nada místico de que todos em Ravnica estavam prestes a pisar muitas vezes em suas áreas gastrointestinais ou faciais.
Ele só expirou quando o minotauro líder embainhou seu machado.
A luz solar entrava em ângulo pelas janelas da Câmara vinda de logo acima da linha do horizonte. Jace estudava uma página de notas da cena do crime. A causa da morte em todos os casos: petrificação.
Ele olhou para Lavínia. "Temos certeza de que são vítimas? Alguém não poderia simplesmente ter... esculpido estátuas muito realistas? Muito rápido?"
Lavínia balançou a cabeça. "Improvável. O desaparecimento desses cidadãos foi confirmado. E os corpos petrificados foram todos encontrados na Praça Rozlad."
"Território Golgari. Perto dos túneis da Pedreira."
"Mas não dentro deles. As estátuas estavam em campo aberto. Expostas. E tem mais."
"Não me diga. O assassino organizou os corpos para formar o símbolo Golgari." Jace estalou os dedos. "Não! Eles estão organizados para soletrar o nome do assassino. Nas formas de suas vítimas aterrorizadas."
"Quase."
"Ah?"
"Eles soletram o seu nome."
"... Ah."
Lavínia assentiu.
"Ah." Jace soltou um suspiro profundo. Ele realmente precisava arranjar uma mesa em algum momento, com uma grande cadeira de couro na qual pudesse desabar em momentos como este. "Bem. Tudo bem."
"Não achamos que a conexão com você seja pública, ainda. Alguns dos meus oficiais cobriram as vítimas e moveram os corpos para fora do local. E não estamos contando às famílias sobre a mensagem que eles soletram."
"Acho que isso é sábio."
"Por outro lado, as letras que eles formam são bem claras. Não podemos exatamente reposicionar seus membros sem danificá-los."
"Havia algo mais na cena? Alguma outra mensagem?"
"Como o quê?"
"Uma hora. Um endereço."
"Não encontramos nada disso."
"Havia algum vínculo entre as vítimas? Algo em comum?"
"Eles são de todos os lugares. O assassino deve tê-los transportado de múltiplos distritos."
Jace buscou pela lista de detalhes, sem ter certeza sequer do que esperava encontrar. Nada parecia se conectar. Mas conforme seus olhos percorriam a página, uma sensação fria afundou em seu estômago. "Estes nomes estão certos?"
"Os das vítimas? Tanto quanto sabemos."
"Linna Stradek. Shann Dilara. Haszin Dycar."
"O que foi? Você os conhece?"
"Não exatamente. Lavínia, preciso visitar a cena imediatamente."
Ela assentiu e marchou em direção à porta. "Vou chamar alguns magos da lei para acompanhá-lo."
Jace a deteve. "Não. Desta vez não. Retire todos os seus oficiais e magos da Praça Rozlad. Eu vou sozinho."
As sobrancelhas de Lavínia baixaram sobre seus olhos. "Para dentro da armadilha do assassino? Não permitirei. Nem um pingo de lógica permite."
"Não discuta. Apenas mantenha todos longe daquele local até que eu diga. Vá para Soliar. Tranquilize os Boros."
Ela apontou para o próprio rosto. "Você conhece a cara que estou fazendo agora? É uma nova. É a minha cara de 'estou considerando cometer o seu assassinato'."
"Conheço essa cara, na verdade. Mas confie em mim. Mantenha todos longe de lá e vá para a cúpula. Por favor."
Os nomes das vítimas significavam algo para Jace que nunca significariam para Lavínia, ou para qualquer outro cidadão de Ravnica ligado ao plano. Linna Stradek. Shann Dilara. Haszin Dycar.
Innistrad. Shandalar. Zendikar.
A Praça Rozlad estava escura e silenciosa, suas paredes cobertas por fungos e liquens. Estava vazia dos oficiais de Lavínia, mas não estava abandonada. No centro da praça estava uma figura em um manto verde-jade, com o rosto oculto por um capuz. Possivelmente humana, a julgar pela silhueta. E ela certamente estava lá para ver Jace.
Apenas um planinauta conheceria os nomes de todos aqueles mundos. E apenas um planinauta que soubesse que Jace era um planinauta o teria como alvo em particular, selecionando vítimas com aqueles nomes. Quem quer que tenha petrificado aqueles corpos sabia muito sobre Jace Beleren que ele tentara manter estritamente em segredo.
"Fico feliz que tenha recebido minha mensagem", disse a mulher.
"Você tem minha atenção", disse Jace. "Estou sozinho. Então não vamos envolver outros ravnicanos nisso."
"Oh, enviei meus compatriotas embora." A mulher puxou o capuz para trás com uma mão e sacou uma longa adaga com a outra. Era humana, esquálida e de olhos escuros, com um colar de espinhos sob o manto. "Então somos apenas nós dois. Por que não se aproxima?"
Jace franziu a testa, mas deu um passo à frente. "Não estou armado. Não quero que mais ninguém se machuque. Só quero conversar. Mas não acho que seja isso que você quer. Você se importa se eu a ler?"
Jace focou sua mente, preparando o feitiço para alcançar os pensamentos da mulher à sua frente. Mas antes que pudesse perscrutar a mente dela, a mulher ficou rígida. Um grito saiu pela metade de sua garganta antes que a pedra se espalhasse sobre ela e envolvesse sua forma. Tornou-se uma estátua de pedra diante de seus olhos, um objeto sem vida.
"Você já me leu, Jace Beleren?", veio a voz de uma mulher diferente atrás dele.
Jace girou para olhar e imediatamente desviou os olhos. Diante dele estava uma górgona. Sua juba de gavinhas semelhantes a serpentes ondulava ao redor de sua cabeça. Suas órbitas oculares brilhavam como lanternas na penumbra, mas não pareciam estar apontadas para ele. Ele descobriu que ainda conseguia se mover e respirar.
"Vraska", disse ele. "Não, não li."
"Mas já ouviu falar de mim."
"Não sabia que você era uma planinauta. Mas ouvira seu nome."
"Tenho Jace Beleren em desvantagem de informações, então. Como é a sensação?", perguntou ela, passeando pela praça ao redor dele. "Já deduziu por que está aqui?"
"Suspeito que me trouxe aqui porque quer me mostrar algo", disse Jace, piscando para baixo, tentando resistir ao impulso de segui-la com os olhos. "Só espero que não seja esse seu olhar."
"Não, não, não. Quero que você mostre para mim, Beleren. Organize esta visita porque quero que nos prove o que há dentro de você. Mostre-nos se será nosso aliado. Um aliado de Ravnica."
"Assassinat ravnicanos é uma forma estranha de ser um aliado de Ravnica", disse Jace para as pedras do calçamento.
"Assim como roubar o controle do Pacto das Guildas!", retrucou Vraska. Suas gavinhas serpentearam e se emaranharam freneticamente, depois se acalmaram lentamente. "Este não é o seu plano. E no entanto você toma um interesse tão forte nele."
"Estou apenas tentando impedir que as guildas se matem. Esta responsabilidade caiu sobre mim e eu a levo a sério. Presumo que não nos trouxe aqui para oferecer sua ajuda."
"Então o que eu quero?"
Jace considerou a questão. "Destruir-me."
"Por que eu iria querer isso?"
"Para... tomar o meu lugar." Ele não sabia se mais alguém poderia se tornar o Pacto das Guildas Vivo depois dele. Mas sabia que, se não houvesse um, certamente abriria portas para uma górgona ambiciosa. "Não. Você quer governar Ravnica."
"Você estar morto convenientemente libertaria minhas mãos. Você e sua trapaça colossal impuseram limites artificiais sobre mim. Então, sim", disse ela casualmente. "Estou pronta para matá-lo agora."
Vraska virou-se bruscamente e olhou Jace em cheio no rosto. Suas gavinhas nadaram no ar e seus olhos brilharam, iluminando a forma de Jace e clareando a praça ao redor dele.
Em vez de se transformar em pedra, Jace dissolveu-se no nada. Ou pelo menos a imagem dele o fez.
"Podemos dispensar as ilusões, então?", disse Vraska em voz alta para o ar ao seu redor.
Jace apareceu atrás de uma coluna. "Desde que você realmente envie Milada, Kobrev, Zdenya e Dibor embora."
Vraska deu um sorriso de soslaio.
"Quatro assassinos, mais o que você mesma matou", disse Jace. "Agradeço o elogio. Mas acho que você é plenamente capaz de me matar sozinha."
Vraska fez um sinal em direção aos cantos da praça. Sombras moveram-se perto das paredes enquanto figuras escondidas se afastavam. Jace sentiu as mentes deles se distanciarem.
"Obrigado. Você vai me matar agora?", perguntou Jace, agora realmente desviando o olhar.
Vraska balançou a cabeça em reprovação. "Pense agora. Esse não é o meu cenário ideal, é?"
"Provavelmente não. A imposição mágica do Pacto das Guildas pode ser usada a seu favor. Especialmente se esse Pacto das Guildas for uma pessoa."
"Correto."
"Então você quer me deixar no cargo de Pacto das Guildas e me manipular. Direcionar minhas decisões a seu favor. Presumo que tenha algo contra mim? Algum tipo de vantagem?"
As gavinhas de Vraska ondularam ao redor de seu rosto. Jace vislumbrou um sorriso presunçoso. "Diga-me, você conhece os nomes de todos os assassinos que cercam atualmente a casa de Emmara Tandris?"
O rosto de Jace escureceu. "A pessoa que parece viver na casa de Emmara é uma das minhas ilusões", disse ele cuidadosamente. "Emmara entrou em um esconderijo profundo. Toda a sua casa é uma armadilha elaborada. Seus assassinos serão presos assim que atacarem."
"Provavelmente um blefe", disse Vraska. Ela passeou em semicírculo, observando Jace, até estar parada atrás dele. "Mas um blefe suficiente. Não importa, de qualquer forma. O que realmente vai acontecer é que vou ameaçar muitas, muitas coisas que lhe importam. E então você vai concordar em trabalhar para mim."
"Isso não vai acontecer."
"Oh, mas posso tornar as coisas muito desconfortáveis para você. Imagine as manchetes: 'Pacto das Guildas Vivo incapaz de impedir assassinatos por petrificação!', 'Mais dez estátuas deixadas no limiar da Câmara do Pacto das Guildas!'. Sem mencionar os representantes de guilda muito, muito irritados que farei invadir suas câmaras."
"Abandone isso agora. Volte para o subsolo. Se você se tornar discreta, eu posso cuidar de abafar este caso. E a Lavínia."
"Torne-se meu assistente e não terá que lidar com ela novamente. Cada pessoa que se cruzar no meu caminho encontrará o destino merecido."
"Eu já lhe disse não. Ravnica está sob minha proteção."
Vraska sibilou, subitamente perto atrás dele, e Jace sentiu uma gavinha tocar sua orelha. "Quanta sorte para Ravnica", rosnou ela. "Você vai protegê-la da mesma forma que protegeu Kallist? Ou Kavin?" Ela certamente cavara fundo no passado dele. Ele se perguntou o que mais ela descobrira sobre sua vida, e quais seriam suas fontes. "E quanto a Garruk Falabravo?"
"Cometi erros, sim. Mas escolho usar minha posição para expiar— espere, o que houve com Garruk?"
Vraska bufou. "Você não sabe o que foi feito dele, sabe?"
"Por quê? O que aconteceu?"
"Não importa. Tenho certeza de que você já falhou com ele também. Você é uma praga, Beleren. Um flagelo para todos os que afirma proteger. Declarar sua lealdade a mim será seu primeiro favor a este mundo."
Uma gavinha envolveu o pescoço de Jace. Jace agarrou-a e tentou puxá-la, mas Vraska era forte e seu cabelo engolfou o rosto dele. Ele sentiu sua garganta fechar conforme as gavinhas deslizavam cada vez mais apertadas.
Jace golpeou a mente dela e imediatamente desejou não tê-lo feito. Os pensamentos dela giravam com centenas de formas de matá-lo ou fazê-lo sofrer. Viu-se estrangulado até a morte. Jogado de uma ponte em um saco. Puxado para dentro da lama dos túneis da subcidade por mãos imundas e garras. Paralisado e forçado a observar cobras rastejarem em suas roupas, enquanto sentia suas presas em forma de agulha afundarem nele. A criatividade dela era sem limites.
Ele precisava mergulhar mais fundo, mas também precisava respirar. Conjurou um feitiço.
Vraska não se impressionou com a primeira ilusão de outro Jace investindo contra ela. Ela a rebateu e a ilusão dissipou-se instantaneamente. Mas o próximo Jace correu em sua direção rápido o suficiente para retalhar sua bochecha com mãos afiadas como adagas. Ela sibilou e arranhou a imagem. Mas o próximo veio ainda mais rápido, e o seguinte disparou em sua direção da direção oposta.
Jace sentiu o aperto da górgona afrouxar enquanto enviava imagem após imagem de si mesmo contra ela. Conforme os Jaces atacavam, eles mudavam. Suas mãos tornavam-se garras. Seus cabelos tornavam-se cobras. Seus olhos brilhavam com luz sinistra. Sibilavam conforme emergiam das sombras de todas as direções, cercando Vraska em uma horda de pesadelo.
Vraska não conseguia lutar contra todos eles. Começou a atingi-los com seu olhar. Eles avançavam contra ela, transformando-se em pedra um a um conforme ela os açoitava com a petrificação.
Conforme as estátuas de pedra se multiplicavam, tornaram-se uma gaiola. Ela estava encurralada por uma dúzia de efígies de Jace. Ele esperava que fossem reais o suficiente para fazê-la se sentir presa, pelo menos por enquanto.
Vraska segurava o Jace real com suas garras. Apertou seu pescoço novamente. "Envie-os embora", sussurrou Vraska, e o fôlego dele foi cortado.
E então os lábios das estátuas começaram a se mover.
"Você venceu", disseram em uníssono, com a voz de Jace.
"Afaste-os." Ela disse isso como um rosnado, mas houve um lampejo de hesitação em sua voz.
As estátuas recuaram ligeiramente, mas ela ainda estava enjaulada por suas formas de pedra. "Jace ajudará você", disseram elas. "Mas ele tem que saber o plano primeiro."
"Você fará o que eu lhe disser, quando eu disser, Beleren."
"Mate-o e ele não poderá influenciar as guildas para você", entoaram as estátuas. "Ele tem que saber se você será uma parceira digna. Se é inteligente o suficiente. Diga-nos: como pretende assumir esta cidade?"
Vraska apertou por um momento, pressionando todo o sangue para fora da cabeça de Jace. Mas seu aperto relaxou novamente. "Com sua ajuda, castrarei todos os magos de guilda. Tirarei o poder deles fazendo com que você redesenhe as fronteiras territoriais, rompendo seus vínculos de mana. Tirarei as presas das guildas ao tomar seus conjuradores. Então, um por um, assassinarei os líderes de guilda."
"Você, Vraska, assassinará cada mestre de guilda?"
"Nasci para matar", disse ela. "E muitos nas sombras respondem a mim."
"Obrigado", disseram as estátuas. Então todas inclinaram a cabeça. "Conseguiram ouvir tudo?", cantaram elas.
Vraska olhou ao redor para todas elas. "O quê?"
Por um momento, os olhos das estátuas brilharam, banhando Vraska em um estroboscópio ofuscante. Ela levou uma mão ao rosto para se proteger do brilho.
"Há uma cúpula de muitos líderes de guilda ocorrendo em Soliar esta noite", entoaram as estátuas de Jace. "Suas declarações foram transmitidas a todos os presentes."
Vraska rosnou. "O acordo acabou, Beleren", disse ela. "Agora você morre." Ela agarrou o pescoço que segurava em suas garras e o esmagou.
Ele partiu-se em pedaços rochosos.
Ela olhou para baixo e, em vez de ver um Jace morto, viu que estivera segurando a forma petrificada de sua própria assassina — a mulher que matara anteriormente. Ele trocara de lugar com ela em algum momento.
Vraska uivou em fúria. Girou e golpeou a gaiola de Jaces. Em vez de quebrarem-se em pedaços ou dissiparem-se no ar, eles fecharam o cerco sobre ela. Brotou ainda mais cobras de suas cabeças, seus olhos, seus dedos, e eles se apertaram ao redor dela. Agarraram seus pulsos. Entrelaçaram-se com suas garras.
Com um grito, ela os repeliu todos. Então respirou fundo, fechou os olhos e transplanou para longe.
"Não sei como você fez isso", disse Lavínia, de volta à Câmara do Pacto das Guildas. "Mas lá estava ela, flutuando no meio de Soliar, contando seus planos a todos na cúpula. Uma confissão remota. Mas o que impede que ela retorne?"
"Ela vai se manter discreta por um tempo", disse Jace, esfregando as marcas em seu pescoço. "Deve nos ganhar algum tempo, espero."
"Você não poderia simplesmente acabar com ela? Ou ordenar que parasse?"
Jace balançou a cabeça. "Mal tive presença de espírito para distraí-la, distorcer suas percepções. Ela certamente não estava me dando uma abertura para destruir sua mente — lutou comigo a cada passo."
"Pelo menos as guildas estão cientes dela agora", disse Lavínia. "Os Boros querem virar a subcidade do avesso. Pareciam quase radiantes com isso."
Ele olhou pela janela. Lâmpadas de rua lançavam iluminação sobre as pedras do calçamento e para cima, nos pináculos da cidade. O horizonte parecia com as imponentes cadeias de montanhas de Zendikar. "Tenho certeza de que você e Isperia podem ajudar a guiá-los."
Lavínia o estudou. "Você está com aquela cara. Sua cara de 'vou ficar fora por um tempo, e não pergunte onde estarei'."
"Deve ser apenas por alguns dias."
"Você deveria ficar. Haverá arbitragens a fazer. Garantias a dar."
Ele reuniu seu manto ao redor de si. "O Pacto das Guildas deveria manter as pessoas seguras", murmurou ele. "Mas eu apenas lhes trouxe mais perigo. E acho que algo está acontecendo com Garruk."
"Quem?"
"Alguém com quem talvez eu ainda não tenha falhado."